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Carta Fora Da Manga

Um espaço de coisas para dactilografar e hiperligar a gosto.

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American Beauty ]20 Anos[

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Não consegui ver esta "maratona" até ao fim de 2019 e tenho de ficar de bem com isso.

 

Há tanta coisa para ver e fazer que não deu para tudo.

 

Assim sendo, aqui fica a minha modesta apreciação do American Beauty.

 

Look at me, jerking off in the shower... This will be the high point of my day; it's all downhill from here.

 

Lembro-me de ver este filme enquanto adolescente e ter gostado bastante.

 

Realizado pelo Sam Mendes e vencedor de vários prémios como os Óscares ] melhor filme, melhor actor, melhor director, melhor fotografia, melhor guião original[, apesar de ter gostado, não pensei muito mais nele.

 

No entanto , frequentemente quando este filme vem à baila pelos críticos de cinema, parece ser quase sempre um filme que não merece a melhor das consideraçōes, e isso intrigava-me já que eu tinha gostado dele.

Apesar de continuar a gostar, ao revisitar o filme creio agora perceber o porquê de tamanha desconsideração.

 

É um filme que não envelheceu bem ]escrito assim até parece que percebo alguma coisa disto!![

Não só pelos recentes problemas pessoais de Kevin Spacey tão relacionáveis com o seu personagem no filme , mas também por toda a atenção que a sociedade actualmente coloca em torno das relações entre adultos e jovens e as hierarquias misóginas tão comuns no seio de famílias. 

Torna-se impossível não associar o Kevin Spacey pós Me Too do Lester Burnham  ]com as devidas distâncias, claro está, mas mesmo com as várias diferenças entre os dois, as semelhanças só não são gritantes para quem não as quiser ver[.

 

Posso também, esperando não me enganar muito, escrever dum modo muito simplista um pseudo-resumo deste filme assim:

um homem branco está descontente e não quer ser contrariado.

 

E se há má altura para rever filmes sobre um homem branco a passar por uma crise, essa altura deve ser agora.

Hollywood, como é bem sabido, trilha agora um caminho bem oposto a este, com cada vez mais filmes a denunciar e exibir a luta e dificuldades das comunidades negras, latinas e minorias nos EUA. Como tal, olhando para este filme com os olhos de hoje é muito fácil criticar ]e bem[ o tema abordado. 

Também nāo envelhece bem o personagem do Spacey ser tratado como uma vítima, não sofrer pelas suas decisões e acabar por morrer sem saber, deixando as pessoas à sua volta para lidar com o as sobras.


Um outro aspecto interessante é que desde o início do filme que desconfiamos que o filme não vai acabar bem, e que todas as personalidades estão numa trajectória descendente.

As interpretações de Spacey e Annette Bening ]esposa[ são exagerados, mas isso parece fazer parte da crítica ao machismo e "dores dos subúrbios americanos", que parece ser também boa parte do tema do filme.

E ja que falei dos subúrbios, a fotografia do filme e conseguinte "mostra" dos subúrbios e estilo de vida de quem lá mora está muitíssimo bem conseguida.

As cenas em que o Lester Burnham sonha tornaram-se incónicas e o director de fotografia está de parabéns pois criou cenários que vão perdurar na memória.

 

Foi um filme muito pensado, com pormenores e fotografia bem escolhida. Podemos não apreciar o enredo, mas nota-se claramente que foi bem imaginado.

Nāo escapa dos clichês do vizinho voyeur, dos casarões lindíssimos dos subúrbios e toda a riqueza que quem la mora pussui, mas faz parte dos altos e baixos de qualquer filme.

 

No geral, creio perceber as divisões em relação a este filme, mas pode não ser tão mau quanto o pintam.

É um filme que nos perturba e isso é sempre estimulante, não interessa a época.

E tem um final meio feliz que oferece um qb de esperança.

A juntar a isto tem o Sandy de The OC, que não interessa nada para avaliar um filme, mas eu gostei de The OC e quis deixar isto aqui!

 

Até ver foi o filme que menos gostei desta maratona, venham de lá os restantes em 2020.